Artigo Turismo de base comunitária impulsiona cultura e renda no Piauí
Turismo Piauí
O turismo de base comunitária tem se consolidado no Piauí como um mecanismo estratégico para a preservação cultural e o desenvolvimento socioeconômico. Povos tradicionais, incluindo comunidades indígenas e quilombolas, utilizam a visitação como forma de valorizar saberes ancestrais e gerar autonomia financeira.
Referência em Lagoa de São Francisco
Na comunidade Nazaré, situada na zona rural de Lagoa de São Francisco, mulheres dos povos Tabajara e Tapuio-Itamaraty administram o Museu Indígena Anízia Maria. Inaugurado em 2016, o espaço é o primeiro do estado a ser gerido por mulheres indígenas e preserva memórias, objetos históricos e práticas culturais.
Segundo dados do IBGE (Censo 2022), o município abriga 681 indígenas, sendo 450 deles residentes na aldeia Nazaré. A instituição registrou mais de 3 mil visitantes ao longo de 2024. A diretora do museu, Dinayana Tabajara, destaca a natureza da iniciativa:
"As pessoas pensam que o museu é só passado, mas não. O museu está fazendo história, o museu é presente. Então, o museu é vivo, o museu somos nós"
Projeção estadual e resistência quilombola
A Secretaria de Estado do Turismo (Setur) tem promovido a inserção de comunidades tradicionais em feiras nacionais, como o Brasil Travel Market e o Salão Nacional do Turismo, visando ampliar a visibilidade de destinos como o Quilombo Mimbó, em Amarante.
Fundado há mais de 200 anos, o Quilombo Mimbó é reconhecido pela Fundação Cultural Palmares desde 2006. O local é referência em resistência e preservação afro-brasileira, oferecendo experiências que incluem:
- Apresentações culturais, como o Pagode do Mimbó;
- Oficinas de artesanato e costura;
- Culinária quilombola tradicional;
- Comercialização de produtos da agricultura familiar.
Compromisso com o desenvolvimento sustentável
Para o secretário de Estado do Turismo, Daniel Oliveira, o modelo de gestão comunitária é essencial para a inclusão. O governo estadual busca integrar essas comunidades às redes de turismo sustentável, focando não apenas na visitação, mas na proteção do patrimônio humano e cultural piauiense.